O ex-presidente hondurenho retornou ao país neste domingo após receber indulto de Donald Trump, que o isentou de uma sentença de 45 anos por tráfico de drogas. O líder agradeceu o perdão, alegando ter sido vítima de uma “caça às bruxas”, mas agora deve responder à justiça local por desvio de fundos públicos.
A condenação de 45 anos foi proferida por um juiz federal de Nova York em junho de 2024, dois anos após a extradição do ex-presidente. Ele foi considerado culpado por auxiliar no contrabando de centenas de toneladas de cocaína para os Estados Unidos, em conluio com narcotraficantes. Em Comayagua, a 60 km de Tegucigalpa, Hernández afirmou que o indulto foi uma “tremenda injustiça” e um uso da justiça como arma política.
Ao retornar, o ex-presidente, que goza de proteção oficial, enfrentará a justiça hondurenha, que o acusa de desviar dois milhões de dólares de verbas públicas para sua primeira campanha. Ele anunciou que tentará recuperar 131 bens confiscados durante a extradição. A oposição criticou o retorno, com membros da bancada afirmando que “indulto não é o mesmo que inocência”.
O caso ocorre em um momento de tensão política, quatro meses após a maioria direitista no Congresso destituir o procurador-geral. Analistas apontam que o retorno do ex-presidente reacende o debate sobre a impunidade no país, apesar do indulto concedido pelo presidente americano.

