Um ex-procurador-geral do Estado foi preso em uma operação que investiga um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM). O Ministério Público do Rio (MPRJ) afirma que o ex-gestor emitia pareceres que davam cobertura jurídica a contratos considerados fraudulentos, movimentando um total de R$ 86,28 milhões.
A investigação do MPRJ aponta que o IRM foi capturado por uma organização criminosa, que transformou a autarquia em um instrumento de enriquecimento privado. Segundo a denúncia, diretores, procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações e dar aparência de legalidade aos contratos.
O ex-procurador, que atuou na autarquia entre 2019 e 2020, teria acobertado a operação criminosa, dando uma “roupagem lícita a atividades que não tinham objeto pertinente”, conforme declarou Delcio Alonso, coordenador do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ). A promotora Roberta Jorio detalhou que o envolvimento do procurador no esquema ficou claro após o atropelo a um parecer emitido durante seu afastamento.
O esquema utilizou contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026. Os valores pagos às empresas contratadas eram transferidos para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), entidade sem estrutura operacional compatível, de onde o dinheiro era sacado em espécie. A promotora Jorio classificou o contrato com o Instituto BIO como “inteligível”, visto que a entidade não é capaz de compreender o objeto contratual.

