Uma equipe de cientistas do Reino Unido identificou um padrão de 14 proteínas no sangue que pode prever o risco de câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência ao diagnóstico. O achado, publicado na revista científica Cell, aponta para um novo método de rastreamento baseado em marcadores biológicos.
O estudo utilizou o Biobanco do Reino Unido, que armazena amostras de centenas de milhares de voluntários. Os pesquisadores aplicaram um algoritmo de inteligência artificial a quase três mil proteínas e isolaram as 14 que funcionam como uma assinatura de risco. Essas proteínas, quando combinadas com idade e histórico de tabagismo, previram o desenvolvimento da doença com maior precisão que os modelos atuais de risco.
O oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas, explicou que a assinatura proteica não identifica o tumor, mas sim o processo inflamatório em andamento no tecido pulmonar. Ele afirmou que o achado indica que o organismo está respondendo a um dano acumulado, o que pode favorecer o surgimento da malignidade.
O trabalho foi validado em outras oito populações, incluindo grupos de não fumantes em Taiwan, um detalhe relevante, pois os protocolos de rastreamento atuais focam majoritariamente em fumantes. Os autores pedem cautela, ressaltando que o resultado ainda é de pesquisa e necessita de validação clínica para se tornar um teste disponível.

