O faturamento das empresas de ônibus interestaduais regulares recuou 8,2% em um período de três anos, totalizando R$ 6,15 bilhões em 2025. A queda ocorre em contraste com o avanço de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional no mesmo intervalo. O setor enfrenta paralisações regulatórias e limitações de acesso ao transporte rodoviário.
Os dados consolidados pela ANTT indicam que o número de passageiros transportados caiu para 36,7 milhões em 2025, diminuindo 14,8% em relação ao pico de 43,1 milhões registrado em 2023. Apesar da redução de passageiros, o volume total de viagens cresceu, saltando de 1,54 milhão em 2023 para 1,69 milhão em 2025, segundo a agência.
O mau desempenho do setor está ligado a interrupções na regulação, com a implementação do regime de autorizações pendente há 12 anos. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu recentemente o trâmite da 1ª Janela Extraordinária, após o Ministério Público Federal (MPF) apontar vulnerabilidades na plataforma da autarquia. Essa paralisação trava a liberação de 47 mil mercados.
O fechamento do mercado impacta a exclusão geográfica: em 2025, 3.386 municípios não tinham atendimento direto de ônibus interestadual, o que corresponde a 60,8% do total de cidades brasileiras. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) afirma que a burocracia restringe a modernização e impede a entrada de negócios com passagens de menor custo.

