Hannah Arendt centraliza seu pensamento político no conceito de ‘nascimento’, que ela define como a matriz geradora de histórias imprevisíveis. A autora argumenta que, embora cada um inicie sua própria trajetória, ninguém é o autor dessa existência, que se inscreve em um mundo preconstituído.
Arendt enfatiza o ‘nascimento’ como aspecto decisivo da vida humana, o que representa uma ruptura com seu mentor Martin Heidegger. Em seus Diários filosóficos, ela comentou que os homens, desde Platão, não abordaram seriamente o fato de nascer, focando apenas na morte.
Essa obsessão pela finitude é vista como dominante na ideologia de tecnólogos de Silicon Valley, ignorando a importância política do início da vida. Segundo o professor Villacañas, o foco natalício de Arendt é uma clara aposta na ‘Tierra’ em oposição ao ‘Ser’, tema central da filosofia contemporânea.

