Cientistas analisaram um tronco de árvore fossilizado no maciço de Kyffhäuser, na Alemanha, que permitiu reconstruir cerca de 300 milhões de anos da história geológica da Europa. Os fósseis, datados de 304 milhões de anos, preservaram minerais em suas células que registram eventos de soterramento e elevação das rochas.
Os troncos, que viveram quando a Europa Central integrava o supercontinente Pangeia, foram soterrados por enchentes rápidas, criando as condições para a preservação celular antes da decomposição. Com o tempo, águas subterrâneas ricas em sílica infiltraram os tecidos, substituindo a matéria orgânica e cristalizando detalhes microscópicos.
A equipe identificou cinco fases de mineralização distintas. Uma delas ocorreu durante o Jurássico, entre 180 e 150 milhões de anos atrás, quando os fósseis atingiram profundidades de três a cinco quilômetros e meio, sob temperaturas entre 170°C e 240°C. Fluidos salinos depositaram quartzo nas cavidades celulares.
Segundo os autores, a descoberta amplia o potencial científico da madeira fossilizada. Os registros não se limitam a ecossistemas antigos, mas funcionam como arquivos geológicos que documentam a evolução tectônica de grandes bacias sedimentares, como a da Europa Central.

