Pesquisadores descobriram um fóssil de um réptil, batizado de Silescelida acristata, no interior do Rio Grande do Sul. A espécie, que viveu há cerca de 240 milhões de anos, representa uma linhagem que antecedeu os dinossauros e crocodilos, auxiliando no estudo da evolução dos arcossauriformes.
O achado ocorreu em Dona Francisca, na região central do estado, em rochas pertencentes ao Geoparque Quarta Colônia UNESCO. O estudo, realizado pelo Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), em parceria com a UFRGS e a PUCRS, foi publicado na revista Scientific Reports.
O Silescelida acristata era um animal de porte pequeno, com corpo esguio e locomoção quadrúpede, comparável a um pequeno jacaré. Suas características anatômicas, como o fêmur com pernas em posição semi-ereta, indicam uma locomoção mais eficiente. Essa transformação é relevante para entender a fase anterior à ascensão dos grandes grupos de vertebrados terrestres.
As análises de parentesco sugerem que o réptil pode estar ligado aos Euparkeriidae, um grupo raro de arcossauriformes. A presença dessa forma na América do Sul amplia a distribuição geográfica conhecida desses animais, reforçando o papel do continente na diversificação inicial dos parentes dos dinossauros e crocodilos.
A descoberta teve um histórico incomum, pois parte do fóssil essencial ficou perdida por mais de duas décadas. Somente em 2022, pesquisadores localizaram o fragmento na coleção da PUCRS, permitindo a descrição formal da nova espécie.

