A Fraternidade São Pio X ordenou quatro novos bispos em Écône, Suíça, no dia 1º de julho, sem obter autorização do Papa Leão XIV. O Vaticano considera a cerimônia um “ato cismático”, pois a nomeação de bispos sem chancela papal rompe com a autoridade da Igreja Católica.
A celebração reuniu milhares de fiéis de diversos países e oficializou a consagração de dois religiosos franceses, um americano e um suíço. Por desconsiderarem o pedido do pontífice para desistir da ordenação, os novos bispos e os dois bispos já ligados ao grupo passam a ser considerados excomungados.
A fraternidade, fundada em 1970, defende uma interpretação rigorosa da doutrina católica e rejeita mudanças do Concílio Vaticano II. Durante a homilia, o superior-geral, padre Davide Pagliarani, contestou a acusação de ruptura com Roma. Ele afirmou: “Para manter a fé, será que estamos rompendo com a Igreja? Este dilema é falso. Pertencemos à Igreja, em primeiro lugar pela fé, pela profissão integral da fé da Igreja”.
O Papa Leão XIV havia enviado uma carta ao superior da fraternidade pedindo que a decisão fosse revista. Na mensagem, o pontífice alertou que, em caso de cisma, sacramentos administrados pelos novos bispos deixariam de ser reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica. Integrantes do grupo, como o padre Michel Rion, afirmaram que a ordenação “nasce do amor pela Igreja” e não é um ato de rebelião contra Roma.

