O futebol brasileiro consolidou-se como um poderoso símbolo de identidade nacional, sendo instrumentalizado politicamente por regimes autoritários, como o de Getúlio Vargas, a partir da década de 1930. O esporte, que uniu um país marcado por diferenças regionais, hoje encanta milhões de torcedores em todo o mundo.
A construção dessa imagem nacional foi incentivada pelo Estado, que buscava símbolos capazes de representar o Brasil miscigenado e unido. Essa narrativa ultrapassou as fronteiras e encontrou um aliado crucial nas transmissões televisivas das Copas do Mundo. Ídolos como Pelé, Garrincha e Zico se tornaram referências internacionais para milhões de crianças em países da Ásia, África e Caribe.
Atualmente, estima-se que cerca de 100 milhões de habitantes torçam pelo Brasil. A influência do futebol brasileiro é visível em diversas nações; no Haiti, vitórias são celebradas como conquistas locais, e na Jamaica, a relação foi fortalecida pela passagem de treinadores e jogadores. Em outras regiões, como Paquistão e Bolívia, bairros inteiros param para acompanhar os jogos da Seleção.
Apesar de a paixão coletiva ser um fenômeno cultural, a análise aponta que ela é resultado de processos históricos e decisões políticas. O futebol, nesse contexto, funcionou como a linguagem mais eficiente para projetar uma imagem de unidade e encanto global do país.

