O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16) que os argumentos apresentados contra o Pix configuram uma “desculpa” para justificar tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Galípolo disse que o sistema de pagamentos representa o caso mais evidente de uma tentativa de sustentar a medida comercial americana.
Galípolo explicou que as justificativas americanas, inicialmente ligadas à balança comercial, precisaram ser alteradas. Ele avaliou que as críticas ao Pix têm pouco fundamento, comparando a argumentação à tentativa de responsabilizar uma infraestrutura pública pelo impacto em modelos de serviços mais antigos. “Seria mais ou menos como você tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa”, disse o presidente do BC.
O presidente do BC também rebateu a ideia de que o Pix prejudicou empresas de cartões. Segundo ele, o mercado de cartão de crédito cresceu 150% desde a implementação do sistema, enquanto cheques e dinheiro físico perderam espaço. Galípolo afirmou que o Pix reduziu custos de transação e beneficiou consumidores, empresas e o setor público, configurando-se como benéfico para quem demanda e para quem oferta.
Galípolo declarou que o sistema brasileiro é referência internacional, citando que a instituição já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais. Ele defendeu que sistemas de pagamento devem funcionar como infraestruturas públicas, modelo que favorece a concorrência e a inclusão financeira. O presidente do BC concluiu que “o Pix é realmente um modelo e é o caminho para onde todo mundo está indo”.

