A expansão de data centers no Brasil enfrenta um gargalo na infraestrutura elétrica, segundo análise de especialista. Os pedidos de acesso para o setor somam 38 GW, e São Paulo concentra 20 projetos em áreas que já operam perto do limite.
Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisou os desafios da rede elétrica para o setor em episódio do programa Infra em 1 Minuto. Ele explicou que um data center focado em inteligência artificial requer centenas de megawatts em um único ponto, o que exige investimentos bilionários em linhas de transmissão e subestações.
O especialista alertou para a saturação da rede nacional. Na primeira rodada da política de acesso do ONS, 38 dos 43 pedidos validados eram de data centers. Em comparação, a carga total do setor no país era de apenas 800 MW em 2025. Rodrigues afirmou que o tempo de adequação do sistema é o grande obstáculo, pois o reforço de rede leva de cinco a sete anos.
Rodrigues comentou que há uma assimetria no debate regulatório. Enquanto nos Estados Unidos já se discute quem arca com o reforço da rede, no Brasil o foco está em criar barreiras, como o projeto de lei do Redata, que obriga o uso de fontes renováveis. Ele declarou: “A regulação vem antes do regulado. O tributo vem antes do lucro. A exigência legal vem antes do desenvolvimento”.

