O sócio e CIO da gestora de investimentos JiveMauá, Samer Serhan, declarou que a aceleração da inadimplência e do endividamento familiar decorre dos juros altos. Ele afirmou que o problema não é estrutural, mas requer um ajuste fiscal para permitir a redução da taxa básica de juros e estabilizar o ambiente de crédito no país.
Serhan destacou que o que preocupa é o ritmo rápido do aumento da inadimplência desde o início de 2026. O executivo explicou que o Brasil convive há quase cinco anos com juros em dois dígitos, o que elevou o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas. A taxa Selic permanece em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 p.p. realizados pelo Banco Central.
Segundo o gestor, o aumento do endividamento reduziu a capacidade de consumo da população, impactando o faturamento das empresas. Ele comentou que as famílias contraíram mais dívidas, o que diminui os recursos para honrar compromissos e reduz o consumo. Apesar do cenário, Serhan avalia que a situação é conjuntural e pode ser revertida com a queda dos juros.
Para a redução sustentável da taxa de juros, Serhan afirmou que a melhora das contas públicas é o fator principal. O especialista do mercado financeiro declarou que o desafio não é definir a solução fiscal, mas sim o “arranjo político”, exigindo coordenação entre Executivo, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF).

