Grandes gestoras de ativos financeiros diminuem posições e reduzem o risco em renda fixa doméstica em julho. A cautela se deve à expectativa de que as fragilidades fiscais do Brasil pressionam a curva de juros local, apesar de melhorias externas e internas.
As cartas mensais das gestoras indicam um tom de cautela em relação aos juros reais e nominais. A Occam Brasil, por exemplo, informou que os fundos estão “taticamente tomados” em juros. Embora o Banco Central tenha cortado a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% no mês passado, a gestora criticou a comunicação do órgão por alongar o prazo de convergência da inflação à meta.
A Kinea Investimentos apontou que o problema fiscal brasileiro pressiona a curva de juros, limitando a capacidade do Banco Central de afrouxar a política monetária. A gestora afirmou que o Brasil não absorve integralmente o alívio de choques externos, pois o risco é estrutural, envolvendo finanças, mercado de trabalho e câmbio.
O gestor da Armor Capital, Igor Campos, declarou que o mercado religou a dinâmica fiscal, o que levou a instituição a zerar posições aplicadas na curva local. A Legacy Capital, por sua vez, manteve a exposição de risco concentrada em ativos americanos. A AZ Quest também adotou postura cautelosa, reduzindo significativamente posições direcionais após capturar valorização em junho.

