O Google perdeu pesquisadores seniores de inteligência artificial para concorrentes como Anthropic e OpenAI nas últimas semanas. A saída dos profissionais não se deve apenas a salários, mas também a fatores estratégicos, como a localização, influenciada pelas regras trabalhistas do Reino Unido.
A migração de especialistas do laboratório DeepMind chama atenção do setor de tecnologia. A concentração de liderança de pesquisa em Londres tornou a cidade um ponto chave nesse movimento. Profissionais ligados ao desenvolvimento do Gemini deixaram o Google para seguir à Anthropic. Entre eles, Jonas Adler e Alexander Pritzel, que atuavam em programação e treinamento de modelos, respectivamente.
Outros nomes de destaque também migraram. John Jumper, vencedor do Nobel de Química de 2024 e líder do AlphaFold, foi para a Anthropic. Noam Shazeer, autor de artigo fundamental da arquitetura Transformer, deixou o Google após mais de duas décadas para trabalhar na OpenAI. O Google afirmou manter confiança na capacidade de reter talentos de alto nível.
Um fator explicativo é a diferença entre as legislações. No Reino Unido, contratos de não concorrência limitam o início imediato em empresas rivais. Na Califórnia, onde grandes empresas de tecnologia estão sediadas, essas restrições têm aplicação menor. Arthur Conmy, por exemplo, deixará Londres para atuar na Anthropic em São Francisco.
Além disso, a disputa por recursos computacionais influencia as decisões. Pesquisadores avaliam a prioridade de projetos, dado que a fase de pré-treinamento exige alta capacidade. Uma análise de capital de risco indicou que engenheiros do DeepMind tinham cerca de 11 vezes mais chances de migrar para a Anthropic do que o inverso.

