O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu antecipar a celebração de contratos de compra de energia elétrica. A medida injetará cerca de 1,8 GW extras no Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro, visando proteger a segurança do sistema elétrico brasileiro.
A decisão, comunicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), prepara o setor para os impactos do El Niño e do cenário geopolítico. Os contratos antecipados envolvem cinco usinas termelétricas, oriundas do Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Energia (LRCE) de 2022 e do Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) de 2026. O volume total adicionado ao sistema é de 1.827,1 MW.
O governo citou duas preocupações principais. A primeira é o risco de seca, potencializado pelo El Niño, que pode reduzir os reservatórios das hidrelétricas, base da matriz energética. Para compensar essa perda de geração, o governo compra antecipadamente a energia das térmicas, que não dependem de condições climáticas. A segunda preocupação é a instabilidade geopolítica, que provoca oscilações no preço de insumos como diesel e gás natural.
A antecipação não configura nova contratação, mas sim o adiantamento de acordos já firmados. O MME afirmou que a solução possui menor impacto tarifário que recorrer a usinas sem contrato. As usinas contempladas incluem Termomacaé, no Rio de Janeiro, com 817,7 MW, e Araucária, no Paraná, com 451,5 MW.

