O governo federal intensificou negociações com lideranças do Congresso para impedir a votação de vetos presidenciais de alto impacto fiscal na sessão conjunta prevista para quinta-feira. A estratégia do Palácio do Planalto foca em limitar a pauta a temas consensuais, visando reforçar o discurso de responsabilidade fiscal.
A articulação segue a lógica utilizada em junho, quando a sessão foi cancelada por falta de acordo. Interlocutores do governo afirmam que a orientação é barrar a inclusão de vetos e projetos que ampliem despesas obrigatórias, reduzam a arrecadação ou gerem impacto relevante nas contas públicas. A definição da Ordem do Dia deve ocorrer entre terça e quarta-feira, após novas rodadas de negociação.
Um dos pontos centrais de negociação são os vetos remanescentes à lei das eólicas offshore. Parlamentares envolvidos nas conversas relatam grande pressão para que o tema seja incluído na pauta, mas o Executivo atua para impedir esse movimento. Os dispositivos vetados tratam de subsídios, como a contratação obrigatória de termelétricas a gás e a prorrogação de incentivos ao carvão mineral.
O governo argumenta que a derrubada desses vetos elevaria os custos do sistema elétrico e pressionaria a conta de luz nos próximos anos. Enquanto o Executivo tenta enxugar a pauta, a oposição defende ampliar o número de vetos apreciados e resiste a novos adiamentos de temas considerados prioritários.

