O governo brasileiro mantém a negociação com os Estados Unidos sobre a tarifa de 25%, mas prevê que avanços significativos só ocorrerão após o fim do ano. A avaliação é que o Brasil estará vulnerável até novembro, período em que os EUA focarão nas eleições de meio de mandato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que ele e seus ministros tentaram negociar com os americanos para evitar a imposição da tarifa, mas afirmou que nunca houve “reciprocidade” nas conversas. Apesar disso, Lula reforçou que o Brasil “não vai sair da mesa de negociação”. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, informou que as conversas podem ser retomadas após o dia 29 de julho, data limite para que mercadorias brasileiras em trânsito cheguem aos EUA sem a taxa adicional.
A imposição da tarifa de 25% deve atingir 15% da pauta exportadora brasileira para os EUA, o que representa US$ 5,8 bilhões, segundo o MDIC. Para mitigar os efeitos, o governo anunciou um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas afetadas. O apoio também se estenderá a setores estratégicos, como fertilizantes e produtos químicos.
A agenda dos EUA, segundo relatos, é política e eleitoral, visto que declarações de autoridades americanas indicaram que o Brasil não negociou de “boa fé”. Analistas apontam que as condições atuais, como a exigência de abertura total de mercados sem contrapartida, demonstram falta de disposição para diálogo. A expectativa é que as condições de negociação melhorem após as eleições americanas de novembro.

