O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil possui motivação política, e não comercial. Vieira declarou que o governo brasileiro manteve negociações com autoridades norte-americanas antes da imposição das sobretaxas e classificou as declarações recentes de um secretário de Estado americano como inaceitáveis.
Vieira explicou que as investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 são “procedimentos unilaterais” e disse que não há justificativa para a aplicação de tarifas aos produtos brasileiros. Segundo o ministro, desde março de 2025, o governo realizou mais de 30 reuniões com autoridades dos dois países, incluindo encontros entre os presidentes.
O chanceler relembrou que a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump em julho de 2025 teve motivação política, pois a carta do presidente norte-americano vinculava a sobretaxa ao processo contra o ex-presidente. Vieira criticou também declarações de um secretário de Estado americano, que teria feito ataques “grosseiros e arrogantes” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro declarou que, durante as negociações, os Estados Unidos fizeram exigências consideradas inaceitáveis, como a abertura irrestrita de setores econômicos sem contrapartidas. Além disso, o Brasil rejeitou as justificativas de Washington, classificando como “descabidas” as acusações sobre o Pix e as alegações de desmatamento.

