O Hamas anunciou a entrega do controle governamental da Faixa de Gaza ao Comitê Nacional Palestino, em alinhamento com o plano de pós-guerra proposto pelo presidente americano, Donald Trump. A Organização das Nações Unidas avaliou a medida como um possível avanço no processo de paz, mas Israel manifestou ceticismo, acusando o grupo de manobra para evitar a desmobilização militar.
O Comitê Nacional Palestino seria composto por técnicos sem vínculo com o Hamas ou outros grupos políticos, com a função de organizar a administração da Faixa de Gaza de maneira técnica. Contudo, o analista Lourival Sant’Anna apontou que, na prática, o grupo deve manter o controle de suas armas e exercer poder sobre o território. Sant’Anna traçou um paralelo com o Líbano, alertando para um ciclo vicioso onde um grupo aceita a administração de outro, mas preserva o controle militar.
As forças israelenses controlam cerca de 60% do território da Faixa de Gaza, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que não há planos para a retirada militar. Além disso, o Comitê Nacional para Administração de Gaza não conseguiu acessar a Faixa de Gaza, pois Israel impede a entrada dos tecnocratas designados.
Segundo Sant’Anna, o Hamas busca criar um fato consumado para pressionar os Estados Unidos a forçar Israel a permitir a entrada do Conselho de Administração e viabilizar a reconstrução. A situação humanitária permanece crítica, com mais de mil palestinos mortos desde o início da trégua, que o analista afirmou não estar sendo respeitada.

