Montadoras de veículos nos Estados Unidos e na Europa estão reforçando investimentos em modelos híbridos devido à desaceleração da transição para veículos totalmente elétricos. A estratégia busca conciliar inovação e a preferência do consumidor, segundo o especialista Igor Lopes, que avalia o cenário atual do setor.
Lopes afirmou que, embora tenha havido uma desaceleração no discurso da eletrificação, isso não implica abandono da tecnologia. Ele explicou que a infraestrutura de recarga ainda limita a adoção de veículos elétricos em certos mercados, o que torna os híbridos mais flexíveis para diversos perfis de consumidores. Grandes montadoras americanas, por exemplo, continuam lançando modelos a combustão e híbridos em regiões com infraestrutura elétrica insuficiente.
A análise também apontou que a indústria chinesa consolidou vantagem competitiva na produção de elétricos puros. Diante disso, montadoras ocidentais optaram por focar em segmentos onde possuem tradição, como os carros a combustão. Lopes comentou que os modelos elétricos de luxo chineses chegam ao mercado com valores inferiores aos de concorrentes tradicionais.
Apesar da mudança de foco, o especialista declarou que o elétrico continua crescendo, mas a expectativa de transformação mudou. Haverá uma convivência maior entre elétricos, híbridos e combustão. Para o Brasil, Lopes viu potencial em uma transição equilibrada, citando a matriz elétrica limpa e o etanol, mas defendeu que a política industrial priorize a transferência de conhecimento tecnológico.

