O banco central norte-americano, Fed, passou a monitorar a inteligência artificial como fator inflacionário. Os novos investimentos no setor criam um paradoxo: eles elevam custos de recursos como chips e energia, mas podem gerar maior produtividade no futuro.
Economistas apontam que a expansão dos investimentos em IA impulsiona a demanda e eleva custos. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, disse que a IA está “elevando custos, pressionando preços de recursos como chips, mão de obra especializada e, principalmente, energia”. Há estimativas de investimentos em infraestrutura superiores a US$ 700 bilhões para construir data centers e suprir a demanda por mão de obra.
Por outro lado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a autoridade monetária decidirá o impacto inflacionário da tecnologia. Warsh comentou em audiência no Senado que, embora a IA possa causar turbulência no mercado de trabalho no curto prazo, os ganhos de produtividade devem ter efeito “essencialmente desinflacionário”, segundo Perri.
Arthur Igreja, especialista em tecnologia, explicou que o consumo de IA, como o uso de tokens, gera custos significativos. Ele citou o caso de uma empresa que gastou US$ 500 milhões com o serviço Claude, da Anthropic, sem estabelecer limites de uso. Igreja declarou que essa infraestrutura de IA faz parte do índice de inflação.
Especialistas concordam que o choque de demanda da IA pode forçar o Fed a adotar postura mais restritiva. Contudo, se os ganhos de produtividade se confirmarem, pode haver espaço para juros estruturalmente mais baixos. Igreja alertou que o estouro de uma bolha de IA impactaria a política do Fed e o desempenho econômico.

