O mercado de inteligência artificial (IA) está redefinindo sua corrida, afastando-se do foco exclusivo em modelos de grande porte. Empresas passaram a priorizar sistemas que se adaptam a tarefas específicas, considerando o custo e o ambiente de uso. Essa mudança aponta para uma nova competição baseada em roteamento e eficiência, e não apenas no tamanho do modelo.
O CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, afirmou que o produto de IA não é mais o modelo isolado, mas sim o “arranjo, o sistema de orquestração que coloca o modelo dentro de uma estrutura muito capaz e o combina com uma série de ferramentas”. Isso permite que os sistemas decidam qual modelo utilizar, quando e quais fontes de dados são necessárias para uma função, como atendimento ao cliente ou programação.
Essa tendência é reforçada pelo crescimento de modelos de pesos abertos, que são mais baratos de operar que os modelos proprietários de grandes laboratórios. Peter Fenton, sócio-gerente da Benchmark, declarou que mais de 90% dos tokens gerados podem vir de modelos abertos nos próximos 18 a 24 meses. Ele comentou que as margens de inferência dos modelos de fronteira sofrerão pressão com essa migração.
A adoção de modelos abertos também ganha tração prática. Jeff Morgan, CEO da Ollama, explicou que o fator decisivo para as empresas é “onde ele roda e como roda”. A Ollama, que facilita a execução desses modelos, já foi adotada por mais de 85% das empresas da Fortune 500. Srinivas defendeu que o código aberto é essencial para tornar os benefícios da IA acessíveis a pequenas empresas.

