O Ibovespa fechou em queda de 0,46% na quinta-feira (23) sob a influência da aversão ao risco que afetou os ativos globais. A alta do petróleo Brent, acima de US$ 100, e as ameaças geopolíticas reforçaram o pessimismo, superando os ganhos de ações como Petrobras e Vale.
A sessão foi marcada por perdas em bancos e ações cíclicas, em meio à escalada dos juros futuros. A preocupação com a interrupção do fluxo de petróleo no Golfo Pérsico, motivada por ameaças de conflito no Oriente Médio, elevou o Brent a mais de US$ 100. O economista-chefe de Mercados da Capital Economics, Jonas Goltermann, afirmou que a alta energética pressiona os mercados financeiros, e que a turbulência pode aumentar se o conflito entre os EUA e o Irã escalar.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,97%, o Nasdaq recuou 2,15% e o S&P 500 registrou baixa de 1,21%. O receio inflacionário global e as apostas de aperto monetário também pesaram, com a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve superando 80%, segundo o CME Group. Especialistas apontam que a perspectiva de queda mais lenta da Selic afeta ações cíclicas, como varejo e incorporadoras imobiliárias.
As quedas no índice foram lideradas por empresas como Hapvida (-8,08%), Totvs (-6,37%), Assaí (-4,52%) e MRV (-4,27%). Contudo, exportadoras e empresas ligadas ao petróleo, como Vibra (+1,77%) e Petrobras ON (+1,67%), ajudaram a conter as perdas. O índice acumulou valorização de 2,73% em julho e 9,68% em 2026.


