O nível de inadimplência de pessoas físicas no Rio Grande do Sul apresentou em junho a segunda queda seguida, segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O índice de adultos com restrições em crédito caiu de 37,2% para 37%, refletindo um recuo leve que se repete em Porto Alegre.
A entidade informou que a redução, observada em ambos os municípios, não ocorria desde 2024. Apesar da melhora, os indicadores de endividamento permanecem em patamares historicamente elevados, representando os terceiros maiores níveis da série iniciada em 2022. A pesquisa aponta que a diminuição está associada a efeitos de programas governamentais de renegociação de dívidas, como o “Novo Desenrola Brasil”.
Oscar Frank, economista-chefe da CDL, comentou que a melhora é positiva, mas deve ser vista com cautela. Ele explicou que a renegociação alivia famílias, mas não resolve as causas estruturais do problema, como a inflação e o custo elevado do crédito. Além disso, a falta de educação financeira e o crescimento das apostas esportivas agravam a capacidade de pagamento da população.
No segmento de pessoas jurídicas, a melhora foi mais expressiva. No Rio Grande do Sul, o índice de empresas com restrições financeiras caiu de 17,3% para 16,2%, marcando a terceira queda consecutiva e a maior redução mensal desde junho de 2022. A CDL Porto Alegre atribuiu esse desempenho à flexibilização de linhas de crédito para micro e pequenas empresas e ao início da redução da taxa básica de juros.

