A indústria de transformação brasileira caiu para a 69ª posição em um ranking de 90 países no primeiro trimestre deste ano. O setor enfrenta desindustrialização, agravada por juros elevados e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, segundo especialistas.
O levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), baseado em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), aponta que a produção industrial teve recuo de 0,1% no período. Embora tenha melhorado em relação à 80ª colocação do quarto trimestre de 2025, o país registrou queda acentuada nos últimos dois anos, passando do 33º lugar em 2024 para a atual 69ª posição.
Renato Veloni, professor de Macroeconomia do Ibmec-SP, explicou que a taxa de juros de 14,25% ao ano é um fator que eleva os custos e reduz a competitividade das empresas. Ele afirmou que o novo tarifaço americano piora uma situação de estagnação, afetando mais os setores dependentes dos EUA.
Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostram que a produção industrial opera cerca de 15% abaixo do pico de 2011. Gerlane Andrade, da Firjan, declarou que a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 35,9% em 1985 para 11,8% em 2025, evidenciando o sustento do setor por atividades extrativas.
Economistas como Sergio Vale e Claudio Considera apontam a falta de abertura comercial e a alta tributação como desafios centrais. Eles sugerem que a conclusão da Reforma Tributária e o aumento da produtividade são necessários para recuperar a competitividade do setor no cenário global.

