O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, avalia que os títulos NTN-Bs podem frustrar investidores, mesmo pagando mais de 8% ao ano. Segundo Serra, a baixa inflação faz com que esses papéis rendam menos que aplicações prefixadas ou atreladas à Selic no médio prazo.
Serra, gestor do fundo multimercado Itaú Janeiro, trabalha com a expectativa de uma redução acentuada da inflação medida pelo IPCA nos próximos meses. Ele afirma que, se a inflação se mantiver entre 4% e 5% no ano, o ganho com a NTN-B será limitado. O analista utiliza a diferença entre o juro de mercado, em torno de 14,5% ao ano, e o rendimento real das NTN-Bs, de 8% ao ano, para justificar sua posição vendida em NTN-B, visando financiar aplicações em juro prefixado.
O gestor estima que o IPCA pode cair para 0,10% neste mês, com deflação de -0,40% no mês seguinte, resultando em uma inflação média de 0,05% ao mês. Essa projeção limita o rendimento das NTN-Bs aos juros reais de 8% ao ano, em contraste com os mais de 14% oferecidos por prefixados e pela Selic. Serra reconhece pressões inflacionárias futuras, mas considera o risco de inflação abaixo das estimativas de mercado.
Sobre a política monetária, Serra acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará cortes na Selic na próxima semana e em setembro. Ele projeta que a taxa cai mais duas vezes em 0,25 ponto. O analista também aponta que a desaceleração econômica pode levar a uma queda da Selic para a casa dos 10% em 2027, caso o PIB fique abaixo de 1% no próximo ano.


