A inflação permanece acima da meta no Brasil e nos Estados Unidos, forçando os bancos centrais a manterem políticas monetárias restritivas. A economista Silvia Ludmer, do Andbank, avalia que o processo de desinflação enfrenta grandes desafios em ambas as economias.
Nos Estados Unidos, a inflação ultrapassa a meta de 2% do Federal Reserve há cinco anos, segundo Ludmer. Ela explicou que o aumento de juros pelo Fed não foi suficiente para reverter o quadro. A economista atribuiu a dificuldade a uma conjunção de fatores, incluindo a política fiscal expansionista e choques globais, como a pandemia e o conflito entre Rússia e Ucrânia.
No Brasil, a inflação também não atingiu a meta de 3% do IPCA. Ludmer afirmou que a resistência se deve à atividade doméstica aquecida, ao baixo desemprego e ao estímulo do consumo pela política fiscal do governo. Ela comentou que programas de renda e desonerações reduzem a potência da política monetária do Banco Central.
A especialista concluiu que Brasil e Estados Unidos compartilham problemas semelhantes: inflação acima da meta, juros elevados e políticas fiscais que complicam a tarefa dos bancos centrais. Ludmer disse que o setor de serviços continua relevante para a dinâmica inflacionária, pois o aumento de preços ocorre quando a demanda permanece forte.

