Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstrou que o lenacapavir injetável, que se aplica duas vezes ao ano, alcança eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV. Dos 668 voluntários, 97% optaram pela injeção semestral em detrimento da PrEP oral diária do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os resultados, apresentados na 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026) no Rio de Janeiro, indicam que os estudos clínicos PURPOSE 1 e PURPOSE 2 comprovaram a alta eficácia do novo método, com taxa de adesão de cerca de 96%. O dado mais relevante é que 78,3% dos participantes que iniciaram o tratamento nunca haviam usado nenhuma modalidade de PrEP antes, indicando que a injeção atinge público distante das estratégias tradicionais de prevenção.
A médica infectologista Christiane Kobal afirmou que, embora a PrEP injetável seja mais cômoda, ela não é superior em eficácia às outras profilaxias disponíveis. Kobal ressaltou, contudo, que a melhor prevenção continua sendo o preservativo, alertando que o relaxamento no uso da camisinha tem gerado um aumento alarmante de sífilis, gonorreia e clamídia.
O medicamento, aprovado pela Anvisa em janeiro de 2026, ainda não está disponível para compra ou distribuição pelo SUS, aguardando a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O médico infectologista Marcelo Daher complementou que a grande vantagem do lenacapavir é alcançar populações marginalizadas, garantindo maior adesão ao tratamento.

