Um navio estrangeiro de contêineres encalhou no Estreito de Ormuz, segundo a televisão estatal iraniana, após utilizar uma rota não aprovada por Teerã. As autoridades iranianas não detalharam a embarcação nem os impactos ao tráfego marítimo. O ocorrido acontece em meio a esforços iranianos para reforçar controle sobre a passagem estratégica.
A divulgação, feita pela mídia iraniana, ocorre enquanto o Irã busca reforçar sua autoridade sobre o estreito, por onde transita cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural em tempos de paz. Desde o início do conflito, Teerã usa a restrição de navegação como instrumento de pressão nos mercados globais de energia.
O episódio coincide com o início de negociações técnicas entre representantes do Irã e dos Estados Unidos em Doha, Catar, visando um acordo permanente para encerrar o conflito. O principal negociador iraniano, Kazem Gharibabadi, reuniu-se com o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, para discutir a implementação do memorando de entendimento.
Gharibabadi explicou que, embora grupos de trabalho tenham sido criados, as negociações formais ainda não começaram e seguem em fase de consultas. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou a postura firme de Teerã, afirmando que os termos do memorando de entendimento firmado em Islamabad são “claros” e alertando que “qualquer ameaça contra nosso povo e nossa liderança receberá resposta imediata e poderosa”.

