Iraque e Síria assinaram um acordo nesta sexta-feira (17) para reconstruir um oleoduto que ligará o norte iraquiano ao litoral sírio no Mediterrâneo. A iniciativa cria uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz para o escoamento de petróleo, conforme informado em Washington.
O projeto, que liga a cidade de Kirkuk, no norte do Iraque, à costa mediterrânea da Síria, tem capacidade projetada de 700 mil barris por dia. A infraestrutura encontra-se fora de operação desde 2003, data em que foi danificada durante a invasão americana ao Iraque. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o projeto pode ampliar a produção do Iraque e diminuir a dependência de rotas consideradas vulneráveis.
A retomada ocorre em um momento de dificuldades de exportação do Iraque, impactadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã sobre a navegação no Estreito de Ormuz. Atualmente, o país depende majoritariamente do porto de Basra, no Golfo Pérsico, para acessar o mercado internacional. Dados da Opep indicam que a produção iraquiana caiu de cerca de 4,2 milhões de barris por dia em fevereiro para aproximadamente 1,9 milhão de barris por dia em junho.
O movimento acompanha uma estratégia maior de países do Golfo para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. Especialistas, contudo, alertam que a ampliação da malha de oleodutos não elimina as ameaças. Segundo Bob McNally, fundador da Rapidan Energy, o risco principal reside em ataques a terminais e instalações de armazenamento de petróleo.

