O setor cafeeiro brasileiro recebeu alívio com a decisão dos Estados Unidos de excluir o café nacional da tarifa adicional de 25% sobre produtos importados. A medida, que também incluiu o café solúvel não aromatizado, evita que o país perca cerca de US$ 2 bilhões em exportações para o mercado americano.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, a manutenção da isenção para os cafés verde e torrado, somada à inclusão do café solúvel, representa duas vitórias relevantes para o ecossistema cafeeiro nacional. Cardoso afirmou que o mercado americano é crucial, pois o Brasil fornece pouco mais de um terço de todo o café importado pelo país.
A inclusão do café solúvel ocorreu devido ao papel estratégico do produto brasileiro na indústria norte-americana. O café solúvel é exportado a granel e serve como base de industrialização para empresas americanas, tanto para produtos acabados quanto para outras receitas. Cardoso explicou que essa relevância fundamentou a exceção na lista de isenções.
Apesar do alívio, o setor monitora uma nova investigação comercial dos EUA, que pode aplicar tarifa adicional de 12,5% nos próximos meses. Contudo, o executivo mantém otimismo, acreditando que os argumentos técnicos apresentados nas negociações serão suficientes para evitar nova taxação.
Cardoso destacou o peso econômico do café brasileiro para os EUA. Ele informou que, para cada dólar gasto na importação, US$ 43 são movimentados na economia americana. O setor gera cerca de US$ 343 bilhões em atividade e emprega aproximadamente 2,2 milhões de pessoas, reforçando a dependência do país importador da matéria-prima.

