Uma jovem de 35 anos sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em 2016, após anos de receber diagnóstico de enxaqueca. O quadro grave, que a levou a um coma induzido, foi causado por trombose venosa cerebral, uma condição que se manifesta com sintomas semelhantes aos de dor de cabeça intensa.
O diagnóstico tardio ocorreu porque a paciente apresentava sintomas de dor de cabeça intensa, que são comuns em 80% a 90% dos casos de trombose venosa cerebral. No entanto, em cada consulta, ela foi diagnosticada com enxaqueca. O quadro evoluiu rapidamente, levando a convulsões e internação em estado crítico, conforme relatado por um fisioterapeuta à época.
Segundo o neurocirurgião Helder Picarelli, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a trombose causa o acúmulo de sangue nos seios venosos do crânio. Esse acúmulo eleva a pressão intracraniana, o que resulta no AVC isquêmico, caracterizado pela morte celular por falta de oxigênio. O caso também aponta para o risco associado ao uso de anticoncepcionais hormonais, que podem ser trombogênicos, especialmente quando há predisposição genética.
Feres Chaddad, neurocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirmou que o perfil de quem sofre AVC mudou, e a trombose venosa cerebral é uma causa crescente em mulheres jovens. A paciente em questão possuía uma tendência trombótica genética, que contraindicava o uso do método hormonal, mas desconhecia essa condição. O tratamento adequado para a trombose é a anticoagulação plena, podendo ser complementado por procedimentos endovasculares.

