A juíza federal Giovana Teixeira Brantes Calmon autorizou a segunda fase da Operação Disclosure, da Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão contra um empresário e o filho de outro. A investigação apura uma fraude contábil estimada em R$ 54 bilhões na Americanas, indicando que os envolvidos teriam conhecimento das manipulações.
A magistrada fundamentou a decisão na existência de indícios de que os empresários exerceram influência direta sobre a gestão da varejista. Segundo a juíza, a ausência de registros formais não afasta a hipótese de envolvimento em um esquema complexo, pois crimes corporativos são estruturados para evitar provas documentais diretas.
O Ministério Público Federal, contudo, manifestou-se contra as diligências, afirmando que não havia elementos que indicassem que os acionistas ou membros do conselho de administração tivessem conhecimento das irregularidades. Apesar disso, a juíza manteve a autorização das medidas cautelares solicitadas pela Polícia Federal.
A fraude foi sustentada por mecanismos como o ‘risco sacado’, que registrava empréstimos como obrigações comerciais, e as ‘Verbas de Propaganda Cooperada’ (VPC), usadas para inflar resultados financeiros. A defesa dos empresários rejeita qualquer participação, alegando que os acionistas foram vítimas da antiga diretoria e que foram os maiores prejudicados pela desvalorização das ações.

