A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen. A medida visa reestruturar uma dívida de R$ 61,4 bilhões, contando com o apoio de 81,6% dos credores da companhia.
A empresa, controlada pela Shell e pela Cosan, enfrentava desafios decorrentes de expansão acelerada e apostas frustradas, como a entrada no varejo. O plano exige que detentores de dívidas quirografárias aderam a opções de conversão. Cerca de 45% do valor será transformado em participação acionária, no valor de R$ 0,25 por ação, enquanto os outros 55% serão convertidos em novos títulos de dívida.
A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões, e o empresário Rubens Ometto estuda um aporte adicional de R$ 500 milhões. Paralelamente, a Raízen iniciará um programa de desinvestimentos e separará o negócio de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar.
Os resultados financeiros recentes da companhia mostram dificuldades. No quarto trimestre da safra 2025/26, a empresa registrou prejuízo de R$ 7,3 bilhões, quase o triplo do mesmo período em 2024/25. O prejuízo acumulado no ano-safra (abril de 2025 a março de 2026) atingiu R$ 27,1 bilhões.

