A Justiça de São Paulo homologou, nesta quinta-feira (30), o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Raízen. A decisão da juíza Larissa Gaspar Tunala chancelou a reestruturação de R$ 65,14 bilhões em créditos financeiros quirografários, vinculando os termos a todos os credores abrangidos.
A proposta, apresentada em 10 de março de 2026, alcançou a adesão de 81,6% dos créditos sujeitos, superando o quórum legal. A magistrada afirmou que o edital do processo ocorreu sem contestação formal dos credores, reforçando o caráter consensual das negociações.
A crise que motivou a busca pela recuperação foi resultado de fatores como a manutenção da taxa básica de juros acima de 12% ao ano, a deterioração econômica argentina, adversidades climáticas na safra de cana-de-açúcar e a queda nos preços de commodities. O grupo registrou prejuízo acumulado de R$ 18,4 bilhões na Safra 2025/2026.
O plano foca estritamente em créditos financeiros, preservando obrigações operacionais com fornecedores e parceiros. Do valor total de R$ 98,63 bilhões, R$ 33,49 bilhões são compromissos internos do grupo, que ficam subordinados à quitação das dívidas externas.

