Um livro reúne o trabalho de pesquisa e resgate histórico das Ruínas de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, RJ. A obra, que será lançada na Festa Literária Internacional de Paraty, detalha as intervenções técnicas e os impactos sociais das obras de consolidação realizadas ao longo de 18 meses.
A publicação, produzida pela Elysium Sociedade Cultural, apresenta o levantamento realizado na antiga igreja, que foi erguida em 1734 e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (Inepac) desde 1989. Segundo o diretor técnico da Elysium, Wolney Unes, o livro registra o conhecimento produzido durante a consolidação e amplia o acesso da sociedade ao bem cultural.
A pesquisa utilizou vestígios materiais e fontes históricas. A historiadora Rachel Wider explicou que registros do visitador eclesiástico Monsenhor Pizarro, de 1794, foram fundamentais para compreender a construção da capela. Arquivos da Cúria de Niterói e de Japuíba também mapearam sepultamentos e traçaram um perfil social da comunidade.
A arquiteta Jessica Marques relatou que o projeto sofreu revisões durante as obras. Foi necessário “ouvir a ruína”, o que levou ao reposicionamento da escadaria da nave principal para a lateral. Além disso, foi implantado um mirante autoportante que reinterpreta o antigo coro da capela, sem tocar as paredes existentes.

