O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (3) que o país “nunca vai investir” se depender de sinalização dos ministérios da Fazenda e do Planejamento sobre a disponibilidade de recursos. A declaração ocorreu no Palácio do Planalto, poucos dias após o Tesouro Nacional divulgar um relatório que aponta pressão fiscal crescente.
Lula declarou que, se aguardar que os órgãos competentes informem que há verba disponível, o investimento nacional não ocorrerá, pois “Dinheiro público nunca sobra”. O discurso ocorreu em um momento em que o Tesouro Nacional alertou que o arcabouço fiscal atual não garante o cumprimento das metas fiscais entre 2028 e 2030.
O relatório do Tesouro identifica um desafio estrutural: despesas obrigatórias crescem mais rápido que a capacidade orçamentária. Entre os gastos em ascensão estão a Previdência Social, que deve passar de R$ 1,1 trilhão para mais de R$ 1,6 trilhão em valores constantes, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O presidente defendeu o investimento público como motor de desenvolvimento, afirmando que “Dinheiro bom não é dinheiro guardado, é dinheiro investido em obra, educação, saúde, ferrovia, rodovia, hidrovia”. As falas contrastam com o diagnóstico do órgão fiscal, que indica a redução do espaço para despesas discricionárias.

