O presidente Lula pagou quase R$ 32,5 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro e junho de 2026, um volume superior a 30% comparado a 2022. Diante da pressão do Congresso, o presidente planeja aumentar as críticas ao poder dos parlamentares durante a campanha e deve propor a revisão do modelo de distribuição de verbas.
O mecanismo de emendas, que permite a deputados e senadores direcionar recursos para suas bases eleitorais, foi alvo de ofensivas do petismo nos últimos anos, que chegou a vetar dispositivos que aumentavam o poder do Legislativo. Contudo, o Congresso ampliou a fatia dessas verbas, e o governo cumpriu o calendário de pagamentos estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que obriga o Executivo a liberar 65% das verbas obrigatórias até o fim do primeiro semestre.
O volume de emendas reduz a disponibilidade de recursos para programas federais e diminui o poder de negociação do Executivo, pois parlamentares liberam recursos sem precisar apoiar projetos do presidente. Em 2023, apenas com emendas impositivas, foram R$ 34,1 bilhões, um aumento de 63% sobre os R$ 20,9 bilhões de 2022, em valores corrigidos pela inflação. Para 2026, são previstos quase R$ 39 bilhões.
O presidente deve explorar as críticas às emendas parlamentares para ganhos eleitorais e buscar retomar o controle de parte dessa verba. O governo propôs, ainda, que o Congresso inclua nas diretrizes orçamentárias de 2027 a possibilidade de parlamentares cederem emendas para ações definidas em acordo com a sociedade civil, ressalvando a anuência do parlamentar.

