O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repreendeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por um documento enviado à Câmara que alertava sobre risco de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. A crítica ocorreu durante uma ligação telefônica, após o Itamaraty responder a um requerimento de um deputado sobre a classificação de facções criminosas como terroristas.
O documento, assinado pelo chanceler, foi enviado em resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo, que questionava as consequências da designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas pelos EUA. O governo norte-americano já havia negado publicamente a possibilidade de intervenção militar no Brasil em junho. Na última quarta-feira (8), o governo dos EUA rejeitou a avaliação do Itamaraty, classificando a conclusão brasileira como “absurda”.
A declaração de Mauro Vieira gerou desconforto no Planalto e nas Forças Armadas, levando Lula a afirmar que o tema ultrapassa a alçada do Itamaraty. As comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado convocaram Vieira para explicar o embasamento do posicionamento sobre a possível intervenção militar.
Diplomatas que apoiam o texto consideram a questão um “cálculo de risco”, avaliando a invasão norte-americana como pouco provável, mas que deve ser considerada. A principal preocupação reside na possibilidade de a administração do presidente Donald Trump aprovar uma operação militar sem autorização do Congresso dos EUA, hipótese que o governo norte-americano já refutou.

