O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repreendeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta semana. A crítica ocorreu após Vieira declarar que a classificação de facções como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como terroristas pelos Estados Unidos poderia levar a uma intervenção militar norte-americana no Brasil.
A manifestação de Mauro Vieira foi registrada em um ofício enviado à Câmara dos Deputados, em resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo. No documento, o chanceler afirmou que a decisão dos EUA poderia abrir a “possibilidade do uso da força militar” em território brasileiro, configurando risco à soberania nacional.
Segundo integrantes do governo, Lula avaliou que o posicionamento foi exagerado e gerou desgaste diplomático desnecessário. O presidente chamou o ministro para conversa reservada e demonstrou insatisfação com a repercussão da declaração, classificando o envio do documento como um “erro”.
A controvérsia ganhou destaque após o governo norte-americano emitir nota. O país afirmou que a legislação utilizada para enquadrar organizações criminosas como terroristas não prevê ações militares no Brasil, concentrando-se em sanções financeiras e restrições de vistos.

