O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repreendeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por um documento enviado à Câmara dos Deputados que afirmava haver risco de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. A bronca ocorreu após o ministro responder a um requerimento sobre a classificação de facções criminosas como terroristas.
A repreensão ocorreu durante uma ligação telefônica, segundo o presidente. Lula considerou um erro o envio do documento assinado pelo chanceler em resposta ao pedido do congressista. O requerimento questionava as consequências da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como terroristas pelo Departamento de Estado dos EUA.
O governo norte-americano já havia negado publicamente a possibilidade de intervenção militar no Brasil em junho. Em 8 de julho, o governo dos EUA rejeitou a avaliação do Itamaraty, classificando a conclusão brasileira como “absurda”. A declaração gerou desconforto no Planalto e nas Forças Armadas, pois o tema, na visão de Lula, extrapola a alçada do Itamaraty.
As comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado convocaram Vieira para explicar o posicionamento. Diplomatas do Itamaraty que apoiam o texto classificam a questão como “cálculo de risco”, avaliando a invasão americana como improvável, mas passível de consideração.

