Pesquisadores descobriram que alguns macacos e babuínos processam conceitos geométricos de maneira fundamentalmente igual aos humanos. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, aponta que essas habilidades sugerem intuições inatas no cérebro dos primatas.
O experimento, conduzido por pesquisadores da Carnegie Mellon University (CMU) e do Rochester Institute of Technology, focou em babuínos-oliva e macacos-rhesus no Primate Portal do Seneca Park Zoo, em Nova York. Os animais participaram de um jogo de correspondência de formas geométricas bidimensionais em troca de frutas. Segundo a coautora Jessica Cantlon, neurocientista cognitiva, o que surpreendeu foi que macacos, crianças e adultos pareciam pensar sobre relações geométricas de forma idêntica.
Para validar os achados, a equipe comparou os resultados dos primatas com os de pré-escolares, 21 adultos americanos e quase 80 adultos do povo Tsimane, grupo agrário indígena do Bolívia. Essa comparação permitiu aos cientistas separar fatores de idade e cultura. A pesquisa implica que crianças humanas nascem com intuições evolutivas sobre espaço e forma, e que o aprendizado de geometria se constrói sobre esses princípios inatos.
Ainda que o conceito pareça simples, Cantlon alertou que ele é complexo, pois os objetos não possuem atributos distintos em forma, tamanho e cor. O estudo também faz referência a artefatos antigos, como uma pedra de 70.000 anos na Caverna Blombos, na África do Sul, que apoiam a ideia de que a espécie humana e seus parentes evolutivos compreenderam a geometria euclidiana há muito tempo.

