Casos recentes envolvendo figuras políticas de diferentes espectros ideológicos evidenciam a dificuldade da política brasileira em reconhecer a autonomia feminina. Um influenciador afirmou que mulheres votam mal, enquanto uma ex-primeira-dama relatou exclusão de decisões partidárias, e uma deputada federal de Goiás defendeu sua autonomia eleitoral.
A violência política contra a mulher vai além de agressões físicas ou ataques virtuais. Ela se manifesta quando a capacidade feminina é questionada, quando há exclusão de espaços de decisão ou quando candidaturas são tratadas apenas como cumprimento de cotas. A Lei nº 14.192, de 2021, tipifica esse fenômeno, definindo-o como qualquer conduta que vise restringir direitos políticos de mulheres em razão do gênero.
As situações apresentadas, embora distintas, compartilham o cerne da dúvida sobre a autonomia feminina. A declaração de uma ex-primeira-dama sobre ter tido sua participação minimizada, ou a defesa de uma deputada federal sobre o respeito à sua decisão de reeleição, ultrapassam fronteiras partidárias. Um influenciador que sugere que esposas seguem a orientação política dos maridos reforça uma visão que desqualifica o direito de voto feminino.
A representação feminina no país ainda está distante da realidade do eleitorado. O obstáculo não reside apenas nas urnas, mas nas estruturas partidárias, na distribuição de recursos e na cultura política que associa liderança a figuras masculinas. A violência política de gênero, segundo a análise, não escolhe partido, exigindo coerência no enfrentamento do problema para que a democracia seja plenamente representativa.

