Cientistas instalaram uma estrutura na Amazônia para simular o clima futuro e entender o impacto das mudanças climáticas na floresta. A máquina, que emite dióxido de carbono (CO2) na copa das árvores, visa projetar como o planeta funcionará em 30 a 50 anos, segundo o coordenador científico do AmazonFace/INPA.
A instalação, localizada a 100 km de Manaus, consiste em seis anéis, cada um com 30 metros de diâmetro e torres de 40 metros de altura. As 16 torres de alumínio foram transportadas para a região em um período de 15 dias. Os pesquisadores, da AmazonFace/Unicamp, precisam medir todos os processos dentro desses anéis, desde a fotossíntese até a produção de raízes finas abaixo do solo.
O projeto, uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o governo britânico, coleta dados que são processados em computadores para simular efeitos climáticos em áreas maiores ao longo de muitos anos. A engenheira florestal Isabela Aleixo afirmou que a estrutura funciona como uma “janela para o futuro”, permitindo antecipar políticas públicas adequadas.
Uma das principais preocupações é que o aumento de gás carbônico possa reduzir a quantidade de vapor liberado pelas árvores. Carlos Alberto Quesada explicou que a umidade gerada pela floresta alimenta os “rios voadores”, que são responsáveis por 30% a 50% das chuvas no Sul do país, impactando a agricultura e a geração de energia.

