O mercado financeiro aguarda o leilão de NTN-B nesta terça-feira (7) com expectativa de intervenção do Tesouro Nacional. A antecipação se deu após o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, demonstrar preocupação com a taxa real dos títulos e afirmar que o órgão está preparado para atuar no mercado.
As NTN-B, títulos indexados ao IPCA, têm visto suas taxas dispararem, levando o Tesouro a reduzir a oferta. Segundo levantamento da Eytse Estratégia, as emissões de NTN-B em junho somaram apenas R$ 6 bilhões, o menor volume do ano, representando 4% do total colocado. A taxa média de emissão no mês foi de 8%, patamar que a Eytse classifica como muito elevado.
O histórico recente mostra precedentes de intervenção. Em março, o Tesouro realizou recompra de R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados após forte alta nos juros futuros. Além disso, o cancelamento de ofertas em junho contribuiu para aliviar prêmios, sinalizando que o Tesouro não validará patamares de taxa.
Economistas dividem a análise. Uma corrente considera que os títulos só se tornarão atrativos com a inflação abaixo de 4%, enquanto outra aponta disfuncionalidade no mercado secundário, justificando uma possível recompra pelo Tesouro. O movimento do mercado, após a notícia de Ceron, mostrou um pouco de apetite pelos papéis.

