O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “inaceitáveis” as declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre o Brasil. Vieira afirmou que as medidas americanas configuram uma investigação unilateral sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, e não uma tarifa direta contra produtos brasileiros.
Vieira explicou que o governo brasileiro iniciou tratativas com Washington em março, realizando mais de 30 reuniões presenciais e virtuais com autoridades americanas. Segundo o ministro, a investigação foi determinada após uma carta enviada pelo presidente americano ao presidente brasileiro, e não representa uma aplicação imediata de tarifas.
O chanceler criticou as exigências americanas, dizendo que elas incluíam a abertura de setores da indústria brasileira e mudanças consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Ele também citou que os EUA acumulam um superávit de mais de US$ 420 bilhões no comércio com o Brasil nas últimas décadas.
Sobre os argumentos americanos, Vieira rejeitou as críticas ao sistema Pix, afirmando que ele é aberto a todas as instituições financeiras. Além disso, o ministro considerou “absurdas” as acusações sobre desmatamento, defendendo que o Brasil cumpre compromissos ambientais. Ele acrescentou que a investigação ganhou força após decisão da Suprema Corte dos EUA, que limitou o uso de tarifas pelo governo americano.

