John Healey foi nomeado novo Chancellor of the Exchequer, ministro das Finanças do Reino Unido, e assume um desafio econômico complexo. Ele precisa conciliar a agenda mais à esquerda do novo primeiro-ministro, Andy Burnham, com a estabilidade dos mercados financeiros, que reagiram à mudança de liderança.
A chegada de Healey ocorre em meio à turbulência nos mercados de títulos britânicos, causada pela ascensão de Burnham, visto como mais alinhado à esquerda. Sua antecessora, Rachel Reeves, havia focado em manter as regras fiscais, apesar de o país ainda possuir uma dívida equivalente a cerca de 95% do PIB. Burnham promete ampliar a assistência social e construir moradias populares, enquanto Healey e o novo premiê anunciaram a redução do imposto sobre contas de energia elétrica de 5% para 0% a partir de outubro, medida que custará £850 milhões em 2026-27.
O financiamento dessa redução virá do cancelamento do programa de Identidade Digital de Starmer, estimado em £1,8 bilhão. Além disso, Healey deve priorizar gastos com defesa, pois a OTAN elevou suas metas de investimento militar, exigindo quase £5 bilhões extras no Orçamento de Outono. Os mercados reagiram positivamente à nova equipe, com os rendimentos dos gilts caindo na terça-feira.
Analistas alertam que o mercado de dívida impõe limites à política governamental. Um gestor de capital disse que, com o Reino Unido devendo £3 trilhões, “são os credores que ditam sua política”. A Câmara de Comércio Britânica também alertou que o custo acumulado das políticas recentes aumentou 72% para pequenas e médias empresas, pressionando por alívio nos custos trabalhistas.

