O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusa a influenciadora Virginia Fonseca de participar de uma estratégia de comunicação predatória para promover a plataforma de apostas Blaze durante a Copa do Mundo. A denúncia afirma que a divulgação explorou mecanismos de influência comportamental para estimular a adesão de apostadores.
O órgão declarou que a atuação da influenciadora integra uma estrutura planejada para explorar fragilidades cognitivas dos consumidores em larga escala. A estratégia utilizou recursos como criação de urgência artificial, personalização da mensagem e apresentação da publicidade como interação espontânea. O MPDFT sustenta que as mensagens da Blaze e o vídeo da influenciadora fazem parte de um plano coordenado para aumentar a captação de usuários e diminuir a avaliação crítica do público.
Um ponto central da acusação é a relação parassocial. Segundo o MPDFT, a proximidade construída pela influenciadora com seus seguidores fez com que a divulgação fosse vista como recomendação pessoal, aumentando a influência sobre o comportamento do público. A ação também aponta riscos no mercado de apostas, citando que a falta de regulação adequada pode gerar inadimplência e superendividamento, especialmente entre consumidores de menor renda.
Em decorrência, o MPDFT solicita que Blaze e Virginia Fonseca sejam condenadas solidariamente ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. O valor foi calculado com base em uma estimativa conservadora de R$ 600 milhões em receita bruta anual da Blaze, aplicando-se 20% sobre esse montante. A investigação iniciou após reclamações de consumidores sobre dificuldades em sacar valores e bloqueios de contas.
Ambas as partes contestam as acusações. A defesa da influenciadora declarou que as alegações serão respondidas no processo, refutando qualquer atuação predatória. A plataforma Blaze afirmou que cumpre a legislação e prestará esclarecimentos quando notificada sobre o andamento da ação civil.

