Um estudo da Unicamp demonstrou que a prática de musculação promove reprogramação molecular no fígado, auxiliando na mitigação da doença hepática esteatótica em camundongos. Os pesquisadores observaram que o treinamento de força modula o genoma, combatendo o acúmulo de gordura ligado ao diabetes tipo 2.
A pesquisa, que investigou o cerne do metabolismo, focou na epigenética para entender como o exercício influencia o órgão. Segundo Leandro Pereira de Moura, coordenador da pesquisa, o objetivo foi compreender como a musculação protege o DNA contra os danos causados pela obesidade. Os resultados foram divulgados em novembro de 2025 na revista Life Sciences.
Os cientistas verificaram que oito semanas de treinamento de força alteraram a metilação do gene MTCH2, crucial no processamento de energia hepática. Moura explicou que a obesidade gera um ambiente tóxico no fígado, causando inflamação crônica e substituindo tecido sadio por fibrose. O exercício reverteu esse quadro ao devolver a capacidade energética ao órgão.
Além disso, o estudo apontou que o treinamento de força recuperou a sensibilidade à insulina em roedores obesos. A atividade física inibiu enzimas que causam fibrose e impulsionou a produção de ATP5, proteína essencial para a energia mitocondrial. Moura afirmou que “levantar pesos fortalece não só os músculos, mas também controla como o DNA do fígado funciona”.

