O hábito de ouvir música enquanto estuda divide opiniões na ciência. Pesquisas indicam que o efeito do som varia conforme a atividade cognitiva e o perfil do estudante. O impacto não é uniforme, dependendo se a tarefa exige memorização ou é repetitiva.
Pesquisas recentes apresentaram conclusões distintas sobre o tema. Um experimento conduzido na Universidade de Wollongong, na Austrália, associou sons suaves e música instrumental à redução do estresse e a ganhos de produtividade em tarefas repetitivas, criando um ambiente mais relaxado para o cérebro. Em contraste, um estudo do antigo University of Wales Institute, em Cardiff, observou que estudantes expostos a música e sons variados tiveram desempenho inferior ao de quem estudava em ambientes silenciosos ou com ruídos previsíveis.
O psiquiatra e neurocientista Srini Pillay, de Harvard, afirmou que a ideia de que apenas música clássica favorece o foco é um mito. Segundo ele, gêneros diversos podem auxiliar na concentração, inclusive em pessoas com TDAH. Pillay explicou que o fator decisivo é a familiaridade: canções conhecidas exigem menos processamento cognitivo, liberando capacidade mental para o estudo. Ele também alertou para um efeito de saturação, onde os benefícios diminuem com a repetição.
O principal ponto de atenção reside nas músicas com letra. Ao ler ou escrever, o cérebro processa simultaneamente a linguagem cantada, o que compromete tarefas verbais. Músicas instrumentais ou sons ambientes, como chuva ou ruído branco, são citados como opções mais seguras, pois reduzem a competição entre os circuitos cerebrais de linguagem e os de leitura. A musicoterapeuta Danielly Coutinho, formada pelo Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, comentou que ritmo, melodia e harmonia afetam o foco, mas esse efeito é variável por indivíduo.

